Poderia a matéria escura ser composta por buracos negros de um universo anterior?

Imagem
  Uma nova pesquisa sugere que buracos negros remanescentes de antes do Big Bang ainda podem moldar galáxias hoje. Esses buracos negros poderiam explicar a matéria escura, uma das maiores questões não resolvidas da cosmologia. De modo geral, buracos negros são regiões do espaço-tempo onde a matéria é comprimida em um espaço minúsculo. A matéria escura, por sua vez, é a matéria que não reflete nem absorve luz. Sabemos que ela existe devido à sua influência gravitacional sobre galáxias e outras estruturas cósmicas. Ela pode ser vista como a "cola" que mantém as galáxias unidas, mas não sabemos do que é feita em um nível fundamental. A maioria dos físicos acredita que a matéria escura é composta de uma partícula subatômica ainda não descoberta. Mas buracos negros antigos, anteriores ao Big Bang, também se encaixam na descrição. Eles são escuros, mas também possuem massa – exatamente as propriedades necessárias. É claro que a ideia de buracos negros remanescentes também exige uma...

Astrônomos Descobrem a Estrela mais Distante já Vista

Localizada além da metade do Universo, uma enorme estrela azul apelidada de Ícaro é a estrela individual mais distante já vista. Normalmente, seria muito fraca de se ver, mesmo com os maiores telescópios do mundo. Mas através de um capricho da natureza que amplifica tremendamente o brilho fraco da estrela, astrônomos usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA conseguiram identificar essa estrela distante e estabelecer um novo recorde de distância. Eles também usaram Ícaro para testar uma teoria da matéria escura e investigar a constituição de um aglomerado de galáxias em primeiro plano.
A estrela, abrigada em uma galáxia espiral distante, está tão distante que sua luz levou 9 bilhões de anos para chegar à Terra, ou seja, o Universo tinha cerca de 30% de sua idade atual quando a luz foi enviada.
A descoberta de Ícaro através de lentes gravitacionais deu início a uma nova maneira de os astrônomos estudarem estrelas individuais em galáxias distantes. Essas observações fornecem uma visão rara e detalhada de como as estrelas evoluem, especialmente as estrelas mais luminosas.
"Esta é a primeira vez que estamos vendo uma estrela individual ampliada", explicou o  líder do estudo Patrick Kelly. "Você pode ver galáxias individuais lá fora, mas essa estrela é pelo menos 100 vezes mais distante do que a estrela individual mais próxima já estudada até agora, exceto explosões de supernovas."
A peculiaridade cósmica que torna essa estrela visível é um fenômeno chamado "lente gravitacional". A gravidade de primeiro plano de um aglomerado massivo de galáxias, por exemplo, atua como uma lente natural no espaço, curvando e amplificando a luz de um objeto mais distante. Às vezes, a luz de um único objeto de fundo aparece como várias imagens. A luz pode ser muito amplificada, tornando objetos extremamente tênues e distantes, brilhantes o suficiente para serem vistos.
No caso de Ícaro, a "lupa" natural é criada por um aglomerado de galáxias chamado MACS J1149 + 2223. Localizado a cerca de 5 bilhões de anos-luz da Terra, esse enorme aglomerado de galáxias situa-se entre a Terra e a galáxia que contém a estrela distante. Combinando a força dessa lente gravitacional com a excelente resolução e sensibilidade do Hubble, os astrônomos podem ver e estudar Ícaro.
A equipe - incluindo Jose Diego, do Instituto de Física de Cantábria, na Espanha, e Steven Rodney, da Universidade da Carolina do Sul, Columbia - apelidaram a estrela de "Ícaro", em homenagem ao personagem mitológico grego que voou muito perto do Sol e caiu quando a cêra que colava suas asas de pena, derreteu. (Seu nome oficial é MACS J1149 + 2223 Lensed Star 1). Muito parecido com Ícaro, a estrela de fundo teve apenas uma glória passageira vista da Terra: momentaneamente aumentou para 2.000 vezes seu verdadeiro brilho.
A equipe usava o Hubble para monitorar uma supernova na galáxia espiral distante quando, em 2016, avistaram um novo ponto de luz não muito distante da supernova. A partir da posição da nova fonte, eles inferiram que ela deveria ser muito mais brilhosa do que a supernova.
Quando analisaram as cores da luz que vinha desse objeto, descobriram que era uma estrela supergigante azul. Este tipo de estrela é muito maior, mais massiva, mais quente e possivelmente centenas de milhares de vezes mais brilhante que o nosso Sol. Mas a essa distância, ainda estaria longe demais para se ver sem a ampliação das lentes gravitacionais, mesmo para o Hubble.
Detectar a amplificação do brilho de uma única estrela de fundo forneceu uma oportunidade ímpar para testar a natureza da matéria escura no aglomerado. A matéria escura é um material invisível que compõe a maior parte da massa do Universo.
Sondando o que está flutuando no aglomerado de primeiro plano, os cientistas foram capazes de testar uma teoria de que a matéria escura pode ser composta principalmente de um grande número de buracos negros primordiais formados no nascimento do Universo com massas dez vezes maiores do que o Sol. Os resultados deste teste único desfavorecem essa hipótese, porque as flutuações de luz da estrela de fundo, monitoradas com o Hubble por 13 anos, teriam parecido diferentes se houvesse um enxame de buracos negros em primeiro plano.

Fonte: NASA

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ondas Gravitacionais confirmam Teorias do buraco negro de Hawking e Kerr

Três planetas do tamanho da Terra descobertos em um sistema binário compacto

Órbitas estáveis para um portal lunar