Pequenos companheiros da Terra podem ter se originado na Lua
| Mapa orbital do asteroide 2016 HO3 e sua órbita ao redor do Sol. Crédito: NASA/JPL-Caltech |
A Terra abriga um grupo de companheiros(perseguidores ou quase-satélites) cósmicos. Conhecidos como "coorbitais", esses pequenos fragmentos de rocha possuem uma ressonância de movimento médio(RMM) de 1:1 com a Terra, isto é, basicamente, eles levam exatamente o mesmo tempo para orbitar o Sol que a Terra e a Lua. Os astrônomos acreditam há muito tempo que esses objetos vieram do cinturão de asteroides principal entre Marte e Júpiter, mas análises espectrais recentes sugerem que eles se assemelham mais aos silicatos lunares desgastados por "intemperismo espacial" e que são lançados ao espaço. Assim, existe um debate contínuo sobre se esses companheiros cósmicos são de fato visitantes do cinturão ou fragmentos da Lua.
Para comprovar essa teoria, os pesquisadores usaram supercomputadores e simularam a trajetória de 12.000 partículas lançadas da superfície lunar em diferentes velocidades e ângulos, rastreando suas órbitas por milhões de anos, para verificar quantas se estabilizariam em órbitas coorbitais, que poderiam incluir vários tipos de órbitas dinâmicas, como quase-satélites, órbitas em ferradura ou órbitas em forma de "girino". A resposta: poucas. Eles calcularam aproximadamente 70 objetos com tamanho superior a 10 metros que acabariam nessa população em estado estacionário. O restante provavelmente veio do cinturão de asteroides.
No entanto, existem apenas 57 asteroides coorbitais conhecidos nessa faixa de tamanho, então o tamanho da amostra provavelmente é muito pequeno para determinar se essas estatísticas estão corretas.
Um dos coorbitais mais notáveis é o (469219) Kamo'oalewa. Essa rocha espacial, com diâmetro entre 24 e 107 metros, é provavelmente o objeto coorbital mais famoso cujo espectro se assemelha muito ao da Lua. Isso levou alguns pesquisadores a sugerir que ela foi criada durante o impacto que formou a cratera Giordano Bruno — uma cratera de 22 quilômetros de diâmetro que ocorreu entre 1 e 10 milhões de anos atrás. Atualmente, a sonda chinesa Tianwen-2, lançada em maio de 2025, está em sua aproximação final a Kamo'oalewa. Lá, planeja coletar 1 kg de amostras da superfície do asteroide e trazê-las de volta à Terra para análises mais detalhadas.
Se as amostras mostrarem que se trata apenas de um asteroide do cinturão principal redirecionado para uma órbita coorbital com a Terra, os cientistas precisarão encontrar uma maneira de explicar sua estranha assinatura espectral. Mas se essa amostra mostrar inequivocamente que a superfície de Kamo'oalewa é composta de silicatos lunares, os cientistas serão forçados a repensar drasticamente sua compreensão da mecânica de impacto lunar, das leis de escala de crateras e de uma série de outras características da Lua.
A ciência é movida por dados, e os dados coletados in situ de um asteroide são alguns dos melhores que podemos esperar para resolver esse debate. Observadores de asteroides do mundo todo acompanharão o progresso da missão Tianwen-2 com expectativa e na esperança de que ela ajude a resolver essa antiga controvérsia.
Fonte: Phys.ORG
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