Poderia a matéria escura ser composta por buracos negros de um universo anterior?

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  Uma nova pesquisa sugere que buracos negros remanescentes de antes do Big Bang ainda podem moldar galáxias hoje. Esses buracos negros poderiam explicar a matéria escura, uma das maiores questões não resolvidas da cosmologia. De modo geral, buracos negros são regiões do espaço-tempo onde a matéria é comprimida em um espaço minúsculo. A matéria escura, por sua vez, é a matéria que não reflete nem absorve luz. Sabemos que ela existe devido à sua influência gravitacional sobre galáxias e outras estruturas cósmicas. Ela pode ser vista como a "cola" que mantém as galáxias unidas, mas não sabemos do que é feita em um nível fundamental. A maioria dos físicos acredita que a matéria escura é composta de uma partícula subatômica ainda não descoberta. Mas buracos negros antigos, anteriores ao Big Bang, também se encaixam na descrição. Eles são escuros, mas também possuem massa – exatamente as propriedades necessárias. É claro que a ideia de buracos negros remanescentes também exige uma...

Asteroide Exilado Descoberto Nos Confins Do Sistema Solar

Concepção artística do asteroide 2004 EW95

Uma equipe internacional de astrônomos usou telescópios do ESO para investigar uma relíquia do Sistema Solar primordial. A equipe descobriu que o incomum objeto do Cinturão de Kuiper 2004 EW95 é um asteroide rico em carbono, o primeiro de seu tipo a ser confirmado nos frios confins do Sistema Solar. Este curioso objeto provavelmente se formou no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter e foi lançado bilhões de quilômetros desde sua origem até sua atual residência no Cinturão de Kuiper.
Os primeiros dias do nosso Sistema Solar foram muito tempestuosos. Modelos teóricos desse período predizem que, depois que os gigantes gasosos se formaram, eles assolaram o Sistema Solar, ejetando pequenos corpos rochosos das regiões internas para órbitas distantes a grandes distâncias do Sol.
Agora, um artigo recente apresenta evidências sólidas do primeiro asteroide carbonáceo observado no cinturão de Kuiper, fornecendo forte suporte para os modelos teóricos dos  primórdios turbulentos do nosso Sistema Solar.
Após medições meticulosas obtidas por diversos instrumentos montados no Very Large Telescope (VLT) do ESO, uma pequena equipe de astrônomos liderada por Tom Seccull, da Queen's University Belfast, no Reino Unido, conseguiu medir a composição do objeto anômalo do cinturão de Kuiper 2004 EW95 e assim determinar quese trata de um asteroide carbonáceo. Este fato sugere que ele originalmente se formou no Sistema Solar interno e deve ter migrado desde então.
A natureza peculiar do 2004 EW95 foi inicialmente observada durante observações de rotina obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble por Wesley Fraser, um astrônomo da Queen's University Belfast e um dos membros da equipe responsável pela descoberta. O espectro de reflexão do asteroide - o padrão específico de comprimentos de onda da luz refletida por um objeto - era diferente do de pequenos objetos similares do Cinturão de Kuiper (KBOs), que normalmente têm espectros desinteressantes e sem características que revelam pouca informação sobre sua composição.
"O espectro de reflexão de 2004 EW95 era claramente distinto dos outros objetos observados no Sistema Solar externo", explica o principal autor do estudo, Seccull. "Parecia esquisito o suficiente para merecer uma olhada mais detalhada."
A equipe observou o 2004 EW95 com os instrumentos X-Shooter e FORS2 no VLT. A sensibilidade desses espectrógrafos permitiu que os investigadores obtivesse medições mais detalhadas do padrão de luz refletido do asteroide e inferisse sua composição.
No entanto, mesmo com o impressionante poder coletor de luz do VLT, 2004 EW95 ainda era difícil de observar. Embora o objeto tenha 300 quilômetros de extensão, encontra-se atualmente à uma colossal distância da Terra de 4 bilhões de km, fazendo com que a coleta de dados de sua superfície escura e rica em carbono seja um desafio científico bastante grande.
"É como observar uma gigantesca montanha de carvão contra o fundo negro do céu noturno", diz o coautor Thomas Puzia, da Pontifícia Universidade Católica do Chile.
"Não só o 2004 EW95 está em movimento, como também é muito tênue", acrescenta a Seccull. "Tivemos que usar uma técnica de processamento de dados bastante avançada para obter o máximo de dados possível."
Duas características nos espectros do objeto foram particularmente atraentes e correspondiam à presença de óxidos de ferro e filossilicatos. A presença destes materiais nunca havia sido confirmada em um KBO, o que sugere fortemente que o EW95 2004 foi formado no Sistema Solar interno.
Seccull conclui: "Dada a localização atual do 2004 EW95 nos confins gelados do Sistema Solar, podemos dizer que o objeto foi lançado para a sua órbita atual por um planeta migratório durante os primórdios do Sistema Solar".
"Embora tenha havido relatos anteriores de outros espectros de objetos no Cinturão de Kuiper 'atípicos', nenhum foi confirmado com este nível de certeza", comenta Olivier Hainaut, um astrônomo do ESO que não fez parte da equipe. "A descoberta de um asteroide carbonáceo no cinturão de Kuiper é uma das verificações chave de uma das previsões fundamentais dos modelos dinâmicos do primitivo sistema solar."

Fonte: ESO

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